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A economia e o impacto em TI

Posted in Uncategorized por Dagoberto Hajjar em 2 de julho de 2013

Semana passada recebi mais um telefonema de amigo americano fazendo piada da situação econômica do Brasil. Esse veio com a piadinha “vocês estavam com a bola toda, hein, mas acabaram pisando na bola”. Foram tantos telefonemas que recebi nos últimos meses que já nem ligo mais…digo que este é o país do samba, cerveja e futebol e convido eles para virem para o Carnaval.

Nos últimos 20 anos o PIB cresceu, em média, 3.5% ao ano. Nos últimos 10 anos a média subiu para 3.9% ao ano. Em 2012, com toda a maracutaia numérica, ficamos com um crescimento de PIB de 0.9%. Então, para manter a média dos últimos 10 anos, teríamos que crescer 6.9% em 2013. Só que as previsões estão apontando para um crescimento de 2% em 2013, portanto, nossas médias históricas de 10 e 20 anos cairão drasticamente. Vai levar tempo para recuperar.

Mas os americanos adoram me ligar para falar que a economia americana com todos os problemas, crise, recessão, depressão e tudo mais, acabou crescendo 2.2%. O Brasil que “não está em crise” cresceu menos da metade.

Se o Ministro Guido Mantega trabalhasse na iniciativa privada ele já estaria no olho da rua. Imagina um diretor de empresa que tem uma meta de 4.5% e entrega apenas 0.9%! É rua na hora.

E o que significa isso para o setor de Tecnologia da Informação (TI) e Telecomunicações? Bom, tem pessoas que enxergam o copo meio vazio e as que enxergam ele meio cheio.

O PIB não cresce, então, temos menos riqueza para o Brasil, as empresas ganham menos, o dólar sobe, fica mais difícil exportar, a inflação sobe e o poder de consumo cai. Trocando em miúdos, todo mundo fica com menos dinheiro. As empresas “apertarão os cintos” e, muitas, deixarão de comprar ou atualizar a tecnologia.

Os bancos, que são “caras espertos”, e que tem dezenas de economistas inteligentes que ficam analisando a economia minuto-a-minuto resolveram puxar o freio. Esse ano o orçamento de TI dos bancos será 6% maior do que no ano passado. Historicamente o crescimento era de 12% a 13% ao ano.

Quem enxerga o copo meio cheio diz que na crise as empresas tem que reduzir custos e que TI é uma excelente ferramenta para isso. Acreditam que a crise aumentará o consumo de TI inteligente. Agora, temos que explicar que os “gurus” classificam TI em 3 níveis: infra-estrutura, sistemas transacionais e TI inteligente. Em infra-estrutura estão os PCs, servidores, impressoras, bancos de dados e correio eletrônico. Os sistemas transacionais são os sistemas de contas a pagar/receber, faturamento, sistemas de gestão empresarial, controle de estoque, frota, etc. Os sistemas inteligentes de TI são os oferecem ferramentas de apoio para a tomada de decisões como Executive Information Systems, Business Inteligence (BI) ou Business Analytics (BA). Portanto, os “gurus” acham que, na crise, os clientes vão usar muito bem a infra-estrutura que já está comprada e adotar sistemas que permitam análise e tomada de decisão para aumentar a eficiência operacional da empresa – reduzir custos e aumentar as vendas.

Existe um outro estudo que diz “quanto mais maduro, do ponto de TI, é um mercado, então, mais ele consome de Software e Serviços em detrimento ao Hardware”. No Brasil o consumo de Software e Serviços, em relação a Hardware, vem crescendo ano-a-ano mostrando um claro amadurecimento do mercado. A crise irá intensificar o consumo de TI inteligente que é, em essência, software e serviços.

Estou com meu sócio aqui do lado perguntando sobre o impacto da economia para os datacenters. Acho que os datacenters tem um papel fundamental na otimização de recursos computacionais e redução dos custos. O software pode ser instalado e oferecidos nas modalidades de SaaS (Software as a Service) ou On-demand. Portanto, a tal “inteligência de TI” poderia estar em um datacenter sendo oferecida com alta qualidade e preços atrativos. Só que acredito que esse tipo de oferta não seja para todo mundo. Infelizmente o Brasil tem grande DEFICIT de infra-estrutura de telecomunicações, o que inviabiliza a oferta desse tipo de arquitetura.

No final do ano passado eu fui dar uma palestra em uma pequena cidade do interior. Minha primeira surpresa: “a cidade não tinha 3G”. Entrei em pânico… “como vou ficar com meu celular sem 3G???” Fiquei no melhor hotel da cidade. Para acessar a Internet tive que ir até a recepção onde tinham dois “cabinhos azuis” para que o hóspede ligasse seu notebook. Ainda bem que eu estava com um notebook antigo que tinha entrada para “ponto de rede”. Depois de 5 minutos a Internet parou. Avisei o recepcionista. Ele olhou para mim e disse “Uai, claro que parou de funcionar, tá chovendo…” Eu não sabia se era sério ou brincadeira. Era sério.

Já pensou um empresa falando para seus clientes “não podemos processar o seu pedido porque está chovendo na cidade” ?

E não pense que é um problema das cidades pequenas ou das cidades do “interior”… Tente usar o seu celular na Avenida Paulista (São Paulo), é um desespero. O DEFICIT de infra-estrutura de telecomunicações deixará o Brasil em posição de desvantagem competitiva.

Para finalizar, qual será o impacto da economia no Varejo? Eu acho que o varejo anda de mãos dadas com o PIB. Crescimento de PIB pequeno será um impacto de redução de consumo no varejo. Eu tive um sócio que dizia que a crise aumenta o consumo no varejo. Ele falava “crise significa menos dinheiro, a pessoa deixa de viajar para Miami mas compra uma TV”, ou seja, as pessoas, com crise ou sem, gastam em entretenimento. Na crise o entretenimento passar a ser coisas de valor menor, mas continua comprando.

E como a tecnologia poderia ajudar o varejo nesse momento? Bom, se meu ex-sócio estivesse correto, então, o varejista precisa entender muito bem o seu consumidor e estabelecer campanhas e promoções que levem o produto certo para cada consumidor. De alguma forma, voltamos ao tema da “TI inteligente”. Precisamos de ferramentas de análise para entender as preferências de cada um dos vendedores e escolher, dentro da nossa carteira de ofertas, a que melhor pode atendê-lo.

Imagine a cena: Você entra em um estabelecimento comercial e seu celular, através de Bluetooth ou Wi-Fi, se conecta ao sistema da loja identificando quem você é e acessando a montanha de dados acumulados e registrados através de seu cartão de milhagem. O sistema da loja está ligado à todos os sistemas da empresa e ao site de clima e previsão do tempo. Então com base no meu perfil de compra, estoque da loja e clima do tempo aparece no meu celular uma promoção especial (e individual) com preço diferenciado para um determinado vinho, um convite para participar da degustação e uma receita de pato que harmoniza perfeitamente com o vinho recomendado. Aceitando a receita, todos os produtos são enviados para minha casa via e-commerce. Vou ao caixa com a garrafa de vinho e mostro meu celular, que recebeu um código de barras, com o “voucher” de desconto da promoção do vinho (especial e somente para mim). Isso é o que chamamos da “TI inteligente”.

São soluções assim que precisamos para os momentos de crise. Como diz um grande “guru” de mercado “Corte o “s” da palavra crise e transforme-a em “crie””

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